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Terapia do luto · 7 de novembro de 2024

Como superar o luto com conselhos práticos para cada fase

Por Arantxa Pisón, psicóloga sanitária, cédula profissional n.º G-2337

Passar por um processo de luto é uma experiência que nos confronta com as nossas emoções mais intensas e vulneráveis. Quando perdemos alguém ou algo significativo, a dor e a confusão podem parecer avassaladoras, e cada fase do luto traz consigo desafios próprios. Esta viagem emocional não consiste em “superar” o luto, mas em aprender a conviver com ele, encontrando sentido e paz em cada fase. Neste artigo, vamos abordar cada fase do luto em detalhe, com conselhos práticos que te vão ajudar a viver este processo de uma forma consciente, compassiva e, acima de tudo, humana.

A negação e a dificuldade de aceitar a realidade da perda

Compreender a negação como um mecanismo de defesa

A fase de negação é muitas vezes a primeira reação perante a perda. Quando algo tão significativo desaparece da nossa vida, a mente pode reagir tentando manter a realidade à distância. A negação funciona como um amortecedor emocional, um mecanismo que nos protege da dor imediata e nos permite processar a realidade de forma gradual. Nesta fase, podemos sentir-nos desligados, como se a perda não fosse real ou como se estivéssemos a observar os acontecimentos de fora. Embora a negação possa parecer um obstáculo, é um passo necessário que nos permite adaptar-nos lentamente ao que aconteceu, preparando-nos para enfrentar a realidade com menos impacto emocional.

Conselhos para atravessar a fase de negação

A raiva e a procura de respostas no meio da dor

Compreender a raiva como uma resposta natural no luto

A raiva é uma das emoções mais intensas que podemos sentir durante o luto e surge como resposta à aparente injustiça da perda. Esta emoção pode manifestar-se de várias formas: em relação à situação, a outras pessoas, a nós próprios ou até à pessoa que perdemos. Sentir raiva não é negativo, nem é sinal de que algo está a correr mal no processo. É uma forma de exprimir a dor e a frustração, e de dar voz à impotência que muitas vezes sentimos neste momento. A raiva no luto tem uma função terapêutica, pois permite-nos libertar o peso emocional e ajuda-nos a aceitar a realidade, mesmo que não seja fácil. Reconhecer a raiva e dar-lhe um espaço adequado é essencial para avançar no luto sem ficarmos presos no ressentimento.

Conselhos para canalizar a raiva durante o luto

A negociação e a procura de controlo perante a perda

A fase de negociação como uma tentativa de encontrar sentido

Durante a fase de negociação, é comum tentarmos encontrar explicações ou criar cenários hipotéticos que aliviem a dor. A mente recorre a pensamentos como “e se eu tivesse feito isto de outra maneira?” ou “o que teria acontecido se…?” como forma de retomar o controlo numa situação que parece incontrolável. Esta fase pode ser dolorosa, pois muitas vezes traz sentimentos de culpa ou de arrependimento. No entanto, é uma parte natural do luto, um momento em que tentamos encontrar um sentido para o que aconteceu e uma maneira de fazer as pazes com a perda.

Conselhos para enfrentar a negociação

A depressão e o processo de aceitação da tristeza

A tristeza como expressão de amor e de perda

A tristeza é uma emoção profunda e avassaladora que aparece no luto quando a realidade da perda se torna palpável. Nesta fase, os sentimentos de vazio, solidão e desesperança podem dominar os nossos pensamentos e fazer com que a vida pareça sombria. Embora dolorosa, a tristeza é uma parte essencial do processo de luto. Permite-nos exprimir a importância do que perdemos e ajuda-nos a reconhecer a profundidade da nossa relação com aquilo ou aquele que já não está. Sentir tristeza é uma forma de honrar o que foi e de encontrar sentido na perda. É importante não evitar esta emoção e permitirmo-nos senti-la por inteiro para que, pouco a pouco, a dor se transforme em aceitação.

Conselhos para viver a tristeza de forma saudável

A aceitação e o início de uma nova realidade

A aceitação como processo de integração e adaptação

A aceitação não implica esquecer ou deixar de sentir, mas aprender a viver com a ausência e encontrar um novo equilíbrio na nossa vida. Nesta fase, a perda deixa de ser uma dor constante para se tornar uma parte integrada da nossa história. É o momento em que podemos começar a olhar em frente, aceitando que, embora a vida tenha mudado, há um caminho a percorrer e novas experiências para viver. A aceitação é uma fase de transformação, em que a dor se torna uma fonte de força e um sinal de crescimento pessoal.

Conselhos para abraçar a aceitação

O luto é uma viagem profunda e pessoal que exige paciência, compaixão e um respeito sincero pelas nossas emoções. Não se trata de “superar” a perda, mas de aprender a viver com ela e de deixar que o tempo, o autocuidado e o apoio adequado nos guiem para uma vida em paz. Em cada fase, encontramos a oportunidade de honrar o que perdemos, de nos fortalecermos e de descobrir em nós uma resiliência que talvez não soubéssemos que tínhamos. Com o tempo, e com a ajuda adequada, é possível reencontrar a serenidade e avançar para um novo capítulo da nossa vida.

Arantxa Pisón

Arantxa Pisón

Psicóloga sanitária, cédula profissional n.º G-2337. Trabalho em Vigo e online.

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